Por que o serviço de internet não melhora em Corumbá?

março 22, 20211:07 pm

Procon e ex-presidente do Conselho dos Usuários, atualmente vereador, respondem a essa pergunta.

As interrupções e paradas no serviço de internet em Corumbá deram trégua em parte deste mês de março, mas isso ocorreu não exatamente porque o serviço passou por melhorias. O que ocorreu foi mais uma estabilidade. Apesar de a conexão não falhar, o Correio de Corumbá continua buscando respostas para compreender quando a internet poderá funcionar de forma mais contínua na cidade e as empresas vão parar de lesar os clientes, que pagam por 30 dias de serviço, mas não recebem o que contrataram.

Neste mês de março, ao menos até dia 31, a necessidade de internet deve aumentar porque um maior contágio do novo coronavírus no Estado foi constatado e isso está acarrentando em maior demanda sobre o trabalho home-office e o funcionamento de entidades de forma remota.

Com toda essa demanda necessária, afinal, por que as autoridades não conseguem melhorar a internet em Corumbá?

Essa pergunta foi feita para o ex-presidente do Conselho dos Usuários de Telefonia Fixa do Centro-Oeste, o agora vereador Alexandre Vasconcellos (PSDB). Ele ocupava o cargo até dezembro de 2020 do órgão ligado à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O advogado foi nomeado para o conselho em abril de 2017. Alexandre também envolveu-se no tema quando foi diretor executivo do Procon. A mesma pergunta também foi feita para o atual diretor-presidente do Procon de Corumbá, Vital Gonçalves Migueis.

Conforme o vereador, o problema está sendo tratado há anos e com a pandemia, a principal empresa que presta serviço na cidade conseguiu esquivar-se de vários compromissos para dar resposta aos órgãos competentes. “Já demos início a várias ações contra a Oi. Há um ano eu notifiquei a Oi e a Vivo em um processo administrativo cobrando investimento para a cidade de Corumbá. A Vivo apresentou (o programa) e o que a Oi apresentou foi insuficiente. Hoje a Oi deve 50 mil credores e conseguiu renegociar as dívidas para poder voltar a investir no mercado”, comenta Alexandre.

Conforme apurado no Conselho dos Usuários de Telefonia Fixa do Centro-Oeste, com essa autorização da empresa Oi de renegociar suas dívidas e passar a ter capital para realizar investimentos, um primeiro passo foi dado para acontecer mudanças em Campo Grande e Dourados. A empresa estaria atualmente passando cabos de fibra ótica nessas duas cidades para permitir que o serviço oferecido de 10 mb e 15 mb de internet, por exemplo, possa passar para até 10 vezes mais rápido que isso. Porém, é preciso também trazer esse sistema para Corumbá, o que aparentemente ainda não está em execução.

“A linha de fibra ótica é muito frágil e a transmissão de Campo Grande para Corumbá é muito sensível. Todas as outras empresas pagam um aluguel e compartilham o cabo da Oi. É preciso que a Oi crie uma rota mais segura desses cabos para Corumbá e é isso que a gente precisa cobrar dela. Todos esses problemas que já tivemos, os apagões, temos que cobrar a Oi para oferecer um abatimento na conta dos clientes. Pela Comissão de Direito do Consumidor da Câmara, eu vou cobrar isso de forma incansável”, afirmou Alexandre Vasconcellos.

Atualmente, a Agência Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) assegura que não para de fiscalizar a Oi e demais empresas que fornecem internet em Corumbá. “Através da notificação nº 07/2021, de 9 de março, o Procon de Corumbá solicitou que a empresa Oi S/A encaminhe, no prazo de 10 dias corridos, esclarecimentos com relação às interrupções do serviço de internet nos meses de janeiro e fevereiro do corrente ano, sem prejuízo do envio de relatório pormenorizado acerca das referidas paralisações da prestação do serviço”, detalha o órgão, por meio de nota oficial enviada ao Correio de Corumbá. O prazo dessa notificação vai vencer nesta semana.

O diretor executivo do Procon, Vital Gonçalves Migueis, também detalha que foi solicitado, por meio de ofício, apoio e intervenção do ministro das Telecomunicações, Fabio Faria, para que haja exigência de serviço de melhoria na infraestrutura de conexão na internet e telefonia em Corumbá. Apesar do contato em Brasília, ainda não houve uma devolutiva do que poderá ser realizado. O envolvimento da bancada federal também está sendo costurado, mas uma resposta efetiva ainda é morosa.

“Desde 2019 a gente vem fazendo muitas coisas e tomando diversas atitudes. Outros diretores também fizeram. Estou fazendo também uma ponte com autoridades para poder conseguir um resultado prático para Corumbá. Temos que lutar para tornar o serviço essencial. E também estamos autuando a empresa com multa. Entre 2019 e 2020, aplicamos uma multa de R$ 200 mil após a cidade ficar ilhada por dois dias”, pontua Vital sobre medidas que o Procon implantou recentemente.

O ex-presidente do Conselho dos Usuários de Telefonia Fixa do Centro-Oeste ressalta que a pandemia permitiu que a Oi esquiva-se de diferentes compromissos no ano de 2020. Alexandre Vasconcellos afirmou que tentou promover diferentes reuniões com diretores da empresa, bem como sentar para discutir um plano de investimento e até propor um termo de ajustamento. Por conta da possibilidade de não haver encontros presenciais sobre o pretexto da pandemia, a Oi conseguiu evitar todos esses compromissos e postegar qualquer medida sem dar prazo para atender as demandas.

Em Corumbá, a empresa mantém fechada a sua loja no Centro e também alega que não tem o atendimento presencial por conta da pandemia do novo coronavírus.

Fonte: Correio De Corumbá

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