Alfredo Zamlutti Júnior: “O Pantanal está na moda no Mundo e nós precisamos aproveitar”

abril 11, 202210:54 am

Aos 81 anos, Alfredo Zamlutti Júnior ainda esbanja pique para desempenhar papéis de destaque na economia estadual. O empresário e pecuarista corumbaense caminha para seu quarto mandato à frente da Faems (Federação das Associações Empresariais de Mato Grosso do Sul) e também tem uma cadeira no Conselho do Sebrae/MS.

A experiência trouxe o trânsito necessário para influenciar nas decisões que refletem no setor empresarial. Na pandemia, a linha direta com o governo estadual serviu para amortecer o impacto de medidas restritivas. Hoje, com o Pantanal em evidência, Zamlutti Júnior ainda encontra tempo para ajudar a guiar as ações de um programa voltado para o desenvolvimento econômico das comunidades que vivem no bioma.

Correio de Corumbá: Fale um pouco de sua atuação, hoje, como presidente da Faems e conselheiro do Sebrae/MS.
Alfredo Zamlutti Júnior: O Conselho do Sebrae determina o que a diretoria-executiva vai apresentar. Então, nós temos uma reunião mensal, em que são debatidos os pontos e os conselheiros aproveitam e sugerem medidas. Serve para monitorar a diretoria-executiva do Sebrae, hoje presidida pelo Sérgio Longen, que é presidente da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul). Há uma alternância na presidência, ou seja, o conselho não permite reeleição. O próximo mandato será da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul). Hoje a Faems não entra neste revezamento, mas está havendo uma mudança e lá para frente pode ser que isso mude.

Agora, a Faems é um braço do comércio. Temos, hoje, atuando aqui no estado, 61 associações – somos 79 municípios, mas em municípios muito pequenos nós agregamos uma associação a outra. Estou no meu terceiro mandato como presidente da Faems, praticamente reeleito para o quarto mandato. Nós transformamos ela numa entidade atuante. Hoje, a Faems participa das decisões junto com todas as outras federações. E não há aquela vaidade, de uma federação não dialogar com a outra. Essa unidade só existe em Mato Grosso do Sul – isso dito pelos presidentes das outras 26 federações pelo Brasil. Essa união traz muita coisa. Nós trabalhamos junto com o governo. Nesta pandemia, muitas medidas foram minimizadas pelas federações. Era tudo mais ou menos feito em comum acordo.

CC: Tem mudanças à vista para uniformizar a atuação das associações comerciais e empresariais aglutinadas pela Faems, certo?
AZJ: Sim. No dia 20 de abril vamos ter um encontro de todas as associações do Estado para mudar todos os estatutos. Vamos deixar todos iguais, para que não haja divergência de períodos de eleições, por exemplo. Teremos também um cronograma de sucessões, porque fica muito complicado, cada hora uma tem um presidente. Essa reorganização vai trazer para a Faems recursos financeiros próprios. A Faems estava muito deficitária. Agora estamos reformulando.

O Sebrae sem a Faems não consegue cumprir as metas para atender o pequeno, o micro, o médio empresário. Há uma série de programas vinculados às associações, como a Sala do Empreendedor, o Prefeito Empreendedor. Então, nós trabalhamos juntos. É uma convivência que tem que existir.

CC: O senhor também está à frente de um outro programa, mais voltado para atender Corumbá e região. Qual é esse programa?
AZJ: Eu tento levar tudo que eu posso para Corumbá, por eu ser pantaneiro. É o Pró-Pantanal, que nasceu com uma ajuda por causa do fogo e ganhou um volume muito grande. Eu até disse à ministra Tereza Cristina, que foi idealizadora desse programa, que ela atirou no que viu e acertou no que não viu, porque esse programa não pode acabar mais. Baseado nisso, estamos oferecendo ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) uma série de projetos que eles vão examinar e pode nos dar recursos para fazer uma série de coisas no Pantanal. É um programa muito amplo, que nessa fase está exigindo muito minha presença. O pantaneiro, não adianta levar pra ele a linguagem técnica, tem que levar a linguagem que ele entende. E eu converso com eles na linguagem que eles entendem. Temos um grande apoio da Marinha do Brasil ao projeto, da Energisa, como o Ilumina Pantanal, e agora nós vamos ter também reuniões com a Força Aérea Brasileira e com o Comando Militar do Oeste, que também querem engajar no programa. Já temos o apoio da Polícia Rodoviária Federal e dos Bombeiros.

CC: Quais as principais ações do Pró-Pantanal?
AZJ: O principal do programa é criar condições de renda para os pequenos. No Passo do Lontra, por exemplo, temos 280 famílias que, ou trabalham nos empreendimentos da região ou têm um pequeno negócio. Aí entra o Sebrae para ajudar a produzir melhor, ensinar a vender melhor e dirigir melhor seu negócio, inclusive com possibilidade de financiamento pelo Banco do Brasil a juros pequenos.

Para os ribeirinhos, estamos levando como produzir na beira do rio sem causar dano ambiental. Se você vive de pegar isca, se ensina como tem que ser tecnicamente, dentro da lei. Tudo é monitorado. É um projeto que não aceita donativo. É ter orgulho de levar para casa o fruto do seu trabalho.
Também estamos levando água tratada para Salobra, pro Passo do Lontra. Estamos em tratativas com a Sanesul, como foi com Porto Esperança, onde houve uma ação do governo.

Para os fazendeiros, estamos levando uma técnica de trabalhar melhor seu gado, uma doma de animais diferenciada. Enfim, tudo que pode melhorar nós estamos levando.

CC: Como tem dividido seu tempo entre os compromissos em Campo Grande e a vida em Corumbá?
AZJ: Hoje sou um “globetrotter”. Eu vivo na estrada. Atendo Corumbá, com veículo meu, avião meu. Faço isso porque gosto de ajudar as pessoas. A recompensa de receber um abraço de uma criança no Salobra, por levar água tratada. Isso é muito importante.

CC: E o Pantanal está, cada vez mais, em evidência…
AZJ: O Pantanal está na moda no Mundo. Nós precisamos aproveitar hoje esse negócio, seja no turismo, seja na pesca, tudo isso faz parte do nosso trabalho no Pantanal. E também estamos combatendo ONGs (Organizações Não-Governamentais) que vêm para prejudicar o pantaneiro. Tem ONG que vem aí para evitar que você produza, dizer que o boi bombeiro nunca existiu. Eu lembro uma frase de Abílio Leite de Barros: deixem o Pantanal nas mãos dos pantaneiros que ele sobrevive para sempre.

CC: De volta ao setor empresarial, como analisa o segmento em Corumbá e Ladário, atualmente?
AZJ: Vejo o comércio de Corumbá e Ladário com grandes possibilidades, se não as grandes redes não estariam vindo, como do ramo de supermercados. O pequeno, médio e microempresário de Corumbá está na mesma proporção das outras cidades: 78% dos empregos e impostos arrecadados nas cidades vem do comércio. É o setor que carrega e gera emprego. Vejo com muita confiança o futuro do comércio de Corumbá e Ladário, mesmo com a venda da Vale. A empresa que vem é muito forte, do grupo JBS, e deve incrementar a produção. Mantendo funcionando, mantém-se o comércio e os empregos.

CC: Estamos em ano eleitoral. Quais os anseios e demandas do setor empresarial diante do pleito de outubro?
AZJ: Existem coisas que são primordiais e básicas que cada candidato a governador ou deputado tem que receber das entidades. Temos pontos importantes. Um deles é eliminar o negócio do ICMS antecipado quando a mercadoria entra no Estado, que é um absurdo. Outro ponto: o cálculo do imposto sobre combustíveis hoje muda de 15 em 15 dias. Nós pedimos que seja feito de 90 em 90 dias. Vamos entregar uma pastinha para cada candidato que chegar em Corumbá. São pontos que têm que ser discutidos antes, e que dependem da vontade de cada governador, cada deputado.

CC: O senhor tem algum plano de se candidatar nestas eleições?
AZJ: Nunca tive qualquer tipo de pretensão política. Me filiei no PSDB há muitos anos atrás e continuo lá. Sou candidato a cuidar do Pró-Pantanal, a cuidar da Faems, enquanto eu tiver saúde para isso. As entidades são muito maiores do que quem as dirige. Nós saímos e as entidades permanecem, somos transitórios.

Fonte: Correio De Corumbá

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