Corumbá toma a dose certa contra o negacionismo para a vacina contra a covid-19

abril 5, 20219:06 am

Com um serviço de Imunização por excelência, saúde de Corumbá poderia vacinar a população alvo em 1 mês e meio, caso houvesse vacinas, porém a excassez de produto impede que município adquire pelo menos 20 mil doses.

A principal e, conforme as autoridades de saúde, melhor medida para proteger as pessoas contra a covid-19 é a vacinação. No dia 31 de março, na primeira reunião do Comitê de Coordenação Nacional para Enfrentamento da Pandemia da Covid-19, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, referendou essa medida. “A campanha de vacinação ampla e ágil é o passaporte para o fim da pandemia. Esse é o esforço que temos feito”, defende.

Se depender de Corumbá, essa imunização está sendo seguida nos trilhos. As primeiras doses foram aplicadas em 19 de janeiro e desde então elas estão ocorrendo de domingo a domingo, quando há vacina suficiente para a aplicação. Existe uma equipe de 30 pessoas envolvidas diretamente nesse trabalho, além de grupos de apoio que auxiliam nos dias de vacinação.

Análise da equipe de imunização do município avalia que a atual estrutura montada permitiria que 1,5 mil pessoas poderiam ser vacinadas diariamente usando o drive thru do Poliesportivo da Rua Porto Carreiro e o ponto fixo de vacinação que está montado no mesmo local. Ainda existe a equipe volante, que faz a aplicação em pessoas acamadas e com dificuldade para se movimentar e irem ao posto de vacinação.

Nesse volume de trabalho, em cerca de 1 mês e meio, pouco mais de 70 mil pessoas com idade a partir dos 18 anos já teriam recebido pelo menos a primeira dose. Todos que estão recebendo a dose precisam cadastrar-se em um sistema e esse cadastro conta hoje com 20 mil pessoas.

O grupo cadastrado e que está recebendo as vacinas refere-se apenas a adultos. Ainda está em estudo a eficácia da proteção em crianças. Além disso, são duas doses, segundo que a segunda aplicação deve ocorrer entre duas semanas a três meses após a aplicação da primeira, dependendo do tipo de imunizante aplicado.

Com esse cenário, se a conta para garantir o município imunizado englobar todos os 112 mil moradores, seriam necessários 2 meses e meio de prazo para a equipe da cidade garantir doses distribuídas para todas as pessoas. Só precisa mesmo é que os frascos estejam disponíveis. Mas essa situação é ainda hipotética e com previsão de mudar de cenário talvez só em 2022. Para este ano, o Brasil já contratou 562 milhões de doses, com previsão de distribuição até dezembro. A Prefeitura de Corumbá ainda trabalha com a possibilidade de adquirir até 20 mil doses, ao custo de R$ 1,5 milhão, por meio de um consórcio com municípios. Existe uma expectativa de ter essas doses para o segundo semestre.

É fato também que desde que as primeiras doses começaram a chegar em Corumbá, ninguém dos grupos priorizados para receber a dose decidiu não tomá-la. A vacinação não está obrigatória, mas quem decide não ser imunizado precisa assinar um termo de responsabilidade.

Quando saiu o anúncio da vacina e houve a indicação que o primeiro imunizante pronto para a aplicação era a Coronavac, que é produzida no Brasil a partir da parceria do Instituto Butantan, de São Paulo, e a farmacêutica chinesa Sinovac Biotech, surgiram contestações sobre a segurança e eficácia dela propagadas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Por questão de cabo de guerra político, havia uma discussão rasa que a vacina Covishield, produzida pela Oxford/AstraZeneca, seria melhor e não teria os mesmos efeitos colaterais da Coronavac. A primeira veio para o Brasil por uma parceria do governo federal e foi disponibilizada posteriormente a Coronavac, que foi trazida pelo governo do Estado de São Paulo. Desde o início da pandemia, existe uma briga política entre Jair Bolsonaro e João Doria (PSDB), governador de São Paulo, com reflexo para a eleição presidencial de 2022.

Mas o que ficou mesmo diante dessa briga entre virtuais candidatos a presidente é que ninguém da população em Corumbá que já tem o direito quis, por enquanto, ficar de fora de ser vacinado.

“Estou trabalhando há 12 anos na imunização e é a primeira vez que a gente se depara com a população questionando a vacina, para que ela serve mesmo, de onde ela veio, quais as reações. Tem gente que pergunta até o motivo de uma seringa ser de um jeito na primeira dose e na segunda estar diferente. A gente ainda encontra pessoas que chegam filmando, questionando, mas acostumamos e tiramos isso de letra. Entendemos também que a população tem o direito de questionar. Temos um site para mostrar todas as pessoas que foram vacinadas, tem até os nomes disponíveis”, conta Luciana Ambrósio, coordenadora de vacinação em Corumbá.

Sobre o negacionismo, Luciana explica que poucos casos foram registrados e todos foram revertidos. “Na vacina da Influenza houve a mesma coisa. Falavam que era vacina para matar velho. Agora surgiu essa, vacina que vira jacaré. Cada época a gente encontra um assunto novo, mas a mensagem é uma só: ‘acreditem na ciência, vacina sim’. Tivemos um caso de uma pessoa que negou a vacina, estivemos na casa dela para aplicar. Três dias depois, ela foi chorando na unidade pedindo para ser vacinada. Ela contou que estava seguindo a opinião de outra pessoa, mas repensou. Um outro caso era de uma pessoa que não queria que a vizinha soubesse que ela foi vacinada, porque essa vizinha falava que era perigoso receber a dose. Não tivemos nenhum caso que a pessoa negou-se até hoje (1º de abril de 2021)”, detalha Luciana.

Corumbá recebeu até este dia 2 de abril 18.506 doses de vacina, o maior volume recebido de uma única vez aconteceu nesta quinta-feira (1º de abril), com remessa de 3.964 doses. Há 3.936 pessoas já protegidas (3,51% da população total). A média nacional é de 2,4%. O Chile, país com melhor vacinação na América Latina, já imunizou 20,3% da sua população até 2 de abril de 2021. Só na primeira dose, 11.245 a receberam até este dia 2 de abril (10% da população total) em Corumbá.

Com informações do site Correio De Corumbá

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