Corumbá vive bom momento com redução de casos de Covid-19 e Marcelo Iunes tem a missão de engatar retomada econômica

agosto 30, 20217:47 am

Marcelo Iunes, 51 anos, completou oito meses de administração da Prefeitura de Corumbá neste ano e tem como cenário a redução de casos de covid-19 na cidade, avanço da vacinação contra a covid-19 e a expectativa de vários setores para que haja uma retomada econômica no município.

O prefeito, que também tem novidades na sua carreira política após trocar de partido pela sexta vez, tem o desafio de conseguir concluir obras paradas na cidade e tentar engatar uma nova dinâmica em Corumbá para trazer crescimento. Uma das apostas que ele fez para concluir esse desafio com sucesso envolve sua nova influência política que ele está pavimentando, agora como vice-presidente estadual do Podemos. Nesse cargo, ele tem acesso direto a deliberações da sigla em termos nacionais e a recursos.

E com a proximidade do aniversário de 243 anos de Corumbá, Marcelo Iunes tem uma lista de projetos para desengavetar e que programa anunciá-los ao longo do mês de setembro. Na sua relação de propostas, o que ele quer deixar a marca é no quesito infraestrutura, principalmente na pavimentação e lajotamento de vias.

Transformar o turismo na Capital do Pantanal é outra realidade que o prefeito procura conquistar pelos próximos três anos e meio que terá pela frente.

Nesta entrevista, que ele concedeu ao Correio de Corumbá em seu gabinete na segunda-feira (23), Marcelo também comenta como encarou as três operações da Polícia Federal que atingiu ele direta e indiretamente em 2020, quando já havia processo eleitoral em curso.

No ano passado, em novembro, a PF apurou contrato que o Citolab Laboratório, que pertence a José Batista Aguilar Iunes, irmão de Marcelo, tinha com a Prefeitura. Em cumprimento de mandato na época, chegou a fazer buscas na casa do prefeito. Em outubro, foram duas operações que tinham como alvo integrantes do governo municipal e suposto esquema de aumento ilegal da folha de pagamento de servidores por conta de empréstimos consignados. Nesses casos, o prefeito não teve envolvimento direto.

Correio de Corumbá: Estamos próximos ao aniversário de Corumbá, quais pacotes e anúncios principais a Prefeitura prepara?
Prefeito Marcelo Iunes: Para o mês de setembro, quando Corumbá vai completar 243 anos, nós vamos lançar várias obras, algumas com convênio com o Estado, mas a maioria próprias. São obras de infraestrutura grandes e vão ajudar bastante o desenvolvimento da cidade. São obras de qualificação de ruas no bairro Guatós, na região da UPA. São 17 ruas e 24 alamedas. Também vamos trocar as lajotas de 14 quadras próximas ao hospital.

Temos obras de lajotamento de mais duas alamedas com recursos próprios. Em 2019, com dinheiro próprio, lajotamos 20 alamedas. Aí veio o Fonplata e lajotamos 38 alamedas e agora vamos dar ordem (de serviço) para mais 12 alamedas. Vamos totalizar 70 alamedas em 5 anos.

Na rua principal de Albuquerque temos uma obra grande. Agora em setembro deve dar ordem de licitação.

Vamos também fazer reforma em mais duas escolas, na José de Souza Damy e na Escola Municipal Pedro Paulo de Medeiros. A gente também agradece a deputada Rose, que é sempre uma parceira nossa. Ela conseguiu R$ 9 milhões para escola no Padre Ernesto Sassida e a construção de uma creche lá também no valor de R$ 3 milhões. Fizemos o projeto executivo e com certeza é um recurso garantido.

Para outubro, devo dar ordem de licitação para asfaltar mais 50 quadras. R$ 8 milhões com recursos da bancada federal e R$ 10 milhões do Podemos, emendas partido por partido, e mais R$ 2 milhões com recursos próprios. Vamos para todos os bairros: Jardinzinho, Jatobazinho, Aeroporto, para eu citar alguns. Eu, como vereador, cobrava muito isso e agora poderá ser feito. É um anseio da população ter o asfalto perto de sua casa, com qualidade. Estamos fazendo sarjeta, calçada, drenagem profunda.

O que não é bom é que infelizmente não vamos ter o tradicional desfile e nem a quermesse neste ano ainda. Mas a pandemia em Corumbá está acabando, graças a Deus.

Correio de Corumbá: Os números mostram que a pandemia está regredindo. São mais de 70% da população imunizada e a ocupação de leitos caiu. Como avalia o trabalho para estarmos nesse patamar?
Marcelo Iunes: Quero agradecer ao Cosems (Conselho Estadual dos Secretários Municipais de Saúde) e ao Conasems (Conselho Nacional dos Secretários Municipais de Saúde) a inclusão de Corumbá e mais 12 cidades da região de fronteira para a imunização em massa. Com essa vacinação em massa, já temos mais de 90% da população vacinada com a primeira dose e 70% estão imunizadas. Agora, cada município vai atuar ao seu modo. Vamos abrindo gradativamente, não podemos correr o risco de voltar a encher o hospital.

Na Santa Casa, o que chegou de recurso nós não fizemos a besteira de montar o hospital de campanha, que gastava em torno de R$ 1 milhão só com estrutura. Já se passaram 18 meses e iríamos ter gasto R$ 24 milhões. Pelo contrário, fizemos investimos dentro da Santa Casa. Criamos um CTI de 17 leitos, um outro lugar com 15 leitos clínicos. Compramos 10 ventiladores mecânicos. Investimos em equipamentos e em profissionais. O hospital em Corumbá gastava em torno de R$ 300 a R$ 400 mil com medicamento e com a pandemia, passamos a gastar R$ 1 milhão em medicação. Nós aumentamos o repasse municipal de R$ 500 mil para R$ 685 mil para a Santa Casa. O Estado passou de R$ 400 mil para R$ 815 mil. A folha é paga com algo em torno de R$ 1 milhão para os 400 funcionários e outro R$ 1 milhão para os médicos. Com insumos, gasta-se R$ 500 mil por mês.

Correio de Corumbá: Ainda há obras paradas na cidade, o que deve ser feito?
Marcelo Iunes: Já mandei cobrar as empreiteiras que não estão dando andamento com obras e estão atrasadas. Vamos notificá-los e, se preciso, vamos relicitar. É um absurdo ficar de dois a três anos numa obra praticamente parada. Nós sabemos que Corumbá não é igual a outros locais. Temos o solo com rocha, muitas vezes precisamos dinamitar. Tem também os minadouros muito perto do solo. Estamos atentos nesse sentido com as obras no Centro de Saúde da Mulher, no Laboratório Municipal, no Centro de Iniciação ao Esporte, no Centro Obstétrico. Isso tudo gera gasto para o município. É preciso terminar.

Correio de Corumbá: E como está a programação para alterar a entrada da cidade, um projeto que também ficou parado?
Marcelo Iunes: Esse projeto envolve mexer em cabos de alta tensão e isso não tem como tirar. Inviabilizou o projeto e tivemos que fazer um novo. Tiramos a parte que é de ampliação da via. Vamos mexer na entrada, no nosso cartão postal (Portal), até a Rua Albuquerque. Vamos ter ciclovia, calçadão nesse trecho. Vamos fazer o paisagismo nessa área. Na Cacimba da Saúde vamos ter intervenção também, que é outro lugar importante para Corumbá.

Temos que trabalhar para fazer Corumbá desenvolver-se. A cidade depende muito de acabar com a lama, ter asfalto, galerias. Quanto menos quadras com ruas de terra deixarmos de ter, melhor para a cidade. As pessoas têm carro, acabam levando a terra de um lugar para outro. Queremos que as pessoas tenham dignidade e respeito.

Correio de Corumbá: Hoje como está a arrecadação e o caixa da Prefeitura?
Marcelo Iunes: Estamos bem, não é o que estávamos esperando, mas está bom. Tivemos um acréscimo no CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais). O FPM (Fundo de Participação dos Municípios) teve um aumento. Por conta da pandemia, conseguimos restringir algumas coisas. Flexibilizamos no momento certo. Com IPTU tivemos algo em torno de R$ 12 milhões. O nosso Refis rendeu R$ 8 milhões. Já estamos com os recursos para pagar os funcionários em dezembro, quando temos duas folhas. Queremos pagar tudo até o dia 15 de dezembro. Estamos dentro do índice (de despesa com pessoal). A gente tinha algo em torno de 560 comissionados, chegamos a ter 600, e nessa cota há 20% de servidores de carreira. Agora temos 520 cargos comissionados. Enquanto não abrir concurso, temos que depender dos comissionados.

Correio de Corumbá: Como estão as previsões para concurso público?
Marcelo Iunes: Esse ano não pudemos realizar dois concursos que queremos (restrição por conta da lei de contenção de gastos do governo federal). Para o ano que vem, vamos abrir concurso para a assistência social, na saúde e para algumas fundações e a agência portuária. Nessas pastas temos pouquíssimos servidores. E isso vai diminuir o número de servidores comissionados. Se der certo, o concurso vai acontecer ainda no ano que vem, caso contrário vai ser para 2023.

Correio de Corumbá: Como está o andamento do projeto com financiamento do Fonplata?
Marcelo Iunes: Quando assumimos a Prefeitura, chamamos uma equipe técnica da Seinfra e reprogramamos todos os projetos. Levamos asfalto para todos os bairros da cidade. O Fonplata de Corumbá tornou-se espelho para eles apresentarem em outras cidades. Eu fui convidado para fazer uma palestra no Rio de Janeiro. Nós conseguimos investir o dinheiro do Fonplata na área social, levando dignidade e respeito a todos por meio do asfalto, galerias e para os bairros mais distantes. O governador Reinaldo Azambuja foi muito parceiro nesse projeto, porque ele deu a contrapartida, com obra na rua principal do bairro Padre Ernesto Sassida e mais 100 quadras que ele recapeou, isso iniciado em março de 2018. A partir de 2022 vamos começar a pagar o financiamento, temos o planejamento feito para isso e não vai prejudicar o andamento das contas.

Correio de Corumbá: Neste ano surgiu a possibilidade de o município renovar uma parceria com o Fonplata e solicitar novo financiamento. O que há nisso?
Marcelo Iunes: Sim, pensamos atualmente em buscar não os US$ 40 milhões, mas algo em torno de R$ 10 milhões para o projeto do Distrito Turístico de Corumbá, que vai da praia vermelha até o bairro Cervejaria. Queremos ampliar a rua, criar piers e quiosques. Queremos apostar no turismo contemplativo aqui também, para fazer as pessoas que venham nos visitar quererem ficar na cidade.

Correio de Corumbá: Já há projetos para outros investimentos também nesta área do turismo?
Marcelo Iunes: Por exemplo, nós já aprovamos e liberamos a realização da obra de um parque aquático do lado do hotel Golden Fish. Acreditamos que a partir do final deste ano os empresários vão dar início às obras. A pandemia atrapalhou nisso. Pensamos também em abrir uma concessão na Marina Gattass para investir em um parque aquático ali também. Temos previsão de obra de revitalização do parque e vamos fazer licitação.

Outro detalhe é que em setembro agora uma comitiva lá de Uruguaiana virá para Corumbá para dar palestra sobre o free shop. Isso é uma aposta para aumentar o movimento no comércio. A Prefeitura deposita algo em torno de R$ 12 milhões por mês para os servidores, ainda há a Vale e outras mineradoras. Tem a Marinha, Exército. Todos eles geram emprego e são em torno de R$ 35 milhões a R$ 40 milhões por mês em pagamentos feitos. Aqui em Corumbá tem movimento e queremos que as pessoas queiram gastar aqui.

Correio de Corumbá: Existe, então, uma proposta de fazer o turismo tornar-se referência econômica na cidade.
Marcelo Iunes: Exatamente. Hoje, o primeiro setor que movimenta a renda per capita é a pecuária, em segundo vem a exportação e a terceira é o turismo. Queremos investir para fazer com que o turismo cresça mais.

Correio de Corumbá: Falando em turismo, quando que Corumbá deve ter festa e presença de artistas nacionais?
Marcelo Iunes: Temos uma programação para o começo de fevereiro de 2022. Vai ocorrer o Festival Internacional de Pesca. Vamos promover uma festa com cantores nacionais. Para o final de fevereiro e começo de março teremos o Carnaval, que queremos que seja o melhor Carnaval de todos os tempos. Em junho, vamos comemorar o nosso título de patrimônio imaterial de São João. O Festival América do Sul vai voltar. Para este ano, no começo de dezembro, estamos programando o Pantanal Extremo, que é um início para movimentar a cidade. Temos uma programação também para fazer uma grande festa para o Natal. Temos um estudo sendo feito com o Estado. Isso tudo vai acontecer se, de fato, a pandemia reduzir. Há uma previsão ainda de voltar o Festival das Águas para o próximo ano.

Correio de Corumbá: Você foi eleito pelo PSDB, mesmo partido do governador Reinaldo Azambuja. O que fez você decidir mudar de partido neste ano?
Marcelo Iunes: Eu recebi o convite do Podemos e foi oferecido para mim o cargo de vice-presidente estadual. Conversei com o governador Reinaldo Azambuja. Fiquei por quatro anos no PSDB e não havia cargo disponível a nível estadual. Tive que mudar para não perder a oportunidade de ser vice-presidente estadual de um partido. Eu tinha um compromisso de trazer mais emendas para Corumbá e isso deu certo. São R$ 10 milhões que estão vindo para a cidade por conta do Podemos. Não houve briga com o governador, muito pelo contrário, continuo como grande parceiro. Expliquei a ele que não precisava ficar no partido dele para ser parceiro. Só não podia perder a oportunidade de ser vice-presidente. Nacionalmente, é o presidente e o vice-presidente que votam para decisões do partido.

Correio de Corumbá: Durante 2020, perto das eleições, inclusive, você foi alvo de investigação da Polícia Federal. Houve operação que cumpriu mandado de busca na sua casa. O que apresentou para eles?
Marcelo Iunes: Eu estava preparado para disputar a eleição e deixei muito claro para todos os secretários que o nosso carro-chefe era deixar uma boa administração em todas as áreas. É o munícipe quem precisa ter o bônus, enquanto o ônus fica para gente correr atrás de recursos. Graças a Deus deu certo. Houve dois candidatos (Paulo Duarte-MDB e Dr. Gabriel-PSD) com outras propostas, mas a população acreditou nas nossas propostas e continuação do nosso trabalho. Achei um jogo sujo a situação de irem atrás de um irmão (José Batista Aguilar Iunes), foram até a minha casa em busca de papel de laboratório que eu tinha vendido em 2017.

Eu disse para o pessoal da Polícia Federal que eu não tinha documento para provar que o laboratório era ex-meu. Isso não existe. Se você tem um carro e vende, vai ficar com documento para provar que ele é ex seu? Quem precisa ter documento é quem comprou. Infelizmente houve essas situações, mas quem não deve, não teme. Eu estava tranquilo e confiante. Massacramos os outros candidatos. Eu esperava até mais, apostava em torno de 45% de votação e foi 42% (21.208 votos contra 13.418 de Paulo Duarte e 9.321 de Dr. Gabriel). Só tenho a agradecer a Deus e à população por me darem essa missão de cuidar da cidade que mais amo.

Fonte: Correio De Corumbá

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