Descarte errado de lixo forma mini lixões em Corumbá
junho 7, 202110:17 amNão descartar o lixo no lugar correto, falta de preocupação em manter terrenos e áreas públicas limpas e não respeitar algumas regras sobre a coleta estão sendo falhas recorrentes dos corumbaenses ao longo de anos. Esses comportamentos ainda ocasionaram outro problema no município. Foram formados em quatro áreas da cidade “mini lixões” e, com isso, há um desafio imenso de trabalho de conscientização para que essa sujeira não volte a ser depositada nessas regiões depois de limpezas recorrentes.
Os mini lixões formados em Corumbá e que se tornaram tradicionais ao longo dos anos estão localizados no bairro Generoso, no encontro das ladeiras; na Rua 13 de Junho, entre as ruas Firmo de Matos e Edu Rocha; e áreas dos bairros Universitário e do Cristo Redentor.
Nessas localidades, todo tipo de lixo, urbano e de construção, são depositados deliberadamente e de forma constante. O material irregular colocado nessas regiões é depositado por moradores das mesmas regiões ou de outros bairros e se acumulam por semanas.
Como a conscientização da população ainda não está consolidada, mesmo que a Prefeitura ou empresas concessionárias na coleta de lixo realizem a limpeza, o serviço não dá conta de manter as áreas limpas. Um recurso que está sendo atualmente conduzido é trabalho de conscientização, mas não se sabe ainda quando o resultado vai ser obtido e em quanto tempo.
A campanha que ocorre nessas áreas prioritariamente é o “Minha rua conectada com meu lar”. As visitas estão sendo feitas de porta em porta, mesmo com a pandemia da covid-19, e seguindo as regras de biossegurança. A principal problemática que é apresentada para os munícipes é sobre o descarte do lixo e os horários que ocorrem a coleta.
“Estamos visitando lugares estratégicos da cidade e demos início na Rua 13 de Junho, no Centro. Estamos fazendo um trabalho por toda a quadra. Outro lugar também é no encontro das ladeiras no bairro Generoso. Depois de lá vamos para o Universitário. Escolhemos lugares que hoje são considerados mini lixões. Os munícipes sempre colocam o lixo nesses locais”, detalha Lenir Alencar Peinado, coordenadora do projeto Minha rua conectada com meu Lar.
Todo esse programa para atuar em medidas de orientação e tentativa de acabar com os mini lixões em Corumbá está concentrado na Fundação de Meio Ambiente do Pantanal, autarquia da Prefeitura. O grupo que atua nas orientações envolve a diretora da fundação, Ana Claudia Moreira Boabaid; os técnicos educadores ambientais Wandir Navarro Arriaza Chaves e Patrícia Decenzo e a fiscal de posturas Eliane Carmen Simões; além de Lenir Alencar.
Nas visitas recentes, o grupo não conseguiu ainda contabilizar o volume de lixo que é encontrado. Porém, já constatou que o descarte irregular ocorre há anos e sem qualquer preocupação dos moradores em acumular resíduos em área que pode sofrer com poluição e contribuir para a criação de vetores, como escorpiões e Aedes aegypti (mosquito transmissor da dengue, chikungunya, zika vírus e febre amarela).
Por que os moradores não jogam o lixo no lugar correto?
“A gente acredita que o descarte irregular ocorre, principalmente, pelo comodismo das pessoas. O munícipe não respeita o horário da coleta e alguns não sabem. A gente leva essas informações para eles. Um exemplo, pessoas que saem cedo para trabalhar e voltam entre 7 e 8 horas da noite. Essas pessoas tiram o lixo de manhã. Na área central, para citar, a coleta do resíduo domiciliar é feita no final da tarde, entre 6h30 e 7 horas da noite”, explica a coordenadora do projeto Minha rua conectada com meu Lar para citar alguns desencontros que ocorrem.
Lenir Alencar reforça que apesar dos problemas serem recorrentes e aparentemente não terem solução, a equipe de educadores ambientais. “A gente procura sensibilizar essas pessoas e dizer a elas o porquê delas respeitarem o horário e a coleta (do lixo)”, reconhece. Ofertar alternativas para que os moradores das regiões do bairro Generoso, no encontro das ladeiras; na Rua 13 de Junho, entre as ruas Firmo de Matos e Edu Rocha; bem como nos bairros Universitário e do Cristo Redentor é o principal foco da equipe de educadores ambientais.
Nessas visitas que estão sendo feitas, os técnicos estão levantando informações que servirão para alimentar discussão com a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos de possibilidades a serem propostas. Instalação de lixeira e horário de coleta são alguns dos pontos que podem ser alterados.
Um dos maiores problemas do mundo
O lixo gerado pelas pessoas é um dos principais problemas ambientais em todo o mundo. Desde 2010 existe a Política Nacional de Resíduos Sólidos (lei nº 12.305, de 2010). E passados 11 anos, ainda existem gargalos para serem superados.
Um plano de gestão integrada de resíduos sólidos demanda ações que se estendem algumas vezes ao longo de 20 anos. O Imasul montou esse plano para Corumbá em 2012 e sua completa implantação ainda vai chegar nos primeiros 10 anos. Conforme levantamento do Imasul, em Corumbá há 62,02 toneladas de lixo gerada na média diária, algo em torno de 228 m³ de volume diário.
A problemática do lixo ainda será tratada na Semana do Meio Ambiente, que ocorre em Corumbá a partir desta segunda-feira (7). No dia 9, mesa redonda envolvendo Lenir Alencar, da Fundação do Meio Ambiente, Marcelino de Andrade Gonçalves (UFMS CG), Luiz Fernando Moreira (Seinfra) e Alyne Alves Lessa (Imasul) vai servir para discutir os desafios que precisam ser superados em Corumbá.
Fonte: Correio De Corumbá