Dia do Pantanal: recuperação do bioma após queimadas pode demorar décadas
novembro 12, 20229:29 amPara ele – e estudos que têm sido feitos – a indicação de uma boa recuperação passa por ter a fauna perdida recomposta (com todas as espécies vegetais que foram queimadas) e manutenção ou aumento das áreas alagadas. Elas diminuíram, em 37 anos, cerca de 80%, saindo de uma superfície de 2,6 milhões hectares em 1985 para apenas 530,4 mil hectares em 2021.
Conforme a também bióloga e doutora em ecologia e conservação, Cíntia Cavalcante Santos, analista da WWF, a redução na cobertura hídrica do Pantanal demonstra que o solo não está permeando adequadamente e que o regime de chuvas também está deficitário.
“O Pantanal depende que os outros sistemas agregados a ele estejam em frequente manutenção”, diz, citando as cabeceiras dos rios que ficam entre a Amazônia e o Cerrado e que, quando abastecidos e conservados, garantem que haja áreas alagadas suficientes na planície para a continuidade da vida animal e vegetal.
Ela explica que até nisso a ação antrópica é o principal problema. “São os impactos humanos sem planejamento, em grande quantidade e com avanço rápido, traz consequências negativas para a vida das áreas mais frágeis, como o Pantanal”, afirma, ao comentar sobre assoreamento, aumento de desmatamento e fogo, atitudes que não protegem as nascentes.
Áreas alagadas, em 37 anos, diminuíram cerca de 80%, saindo de uma superfície de 2,6 milhões hectares em 1985 para apenas 530,4 mil hectares em 2021. (Foto: Ecoa)
Ela ressalta que quando essas cabeceiras são afetadas, “começa-se a criar um complexo de fatores, cujo resultado é uma sequência de eventos desastrosos, em cadeia”, enfatizando que sem o regime adequado de águas, solo, plantas e animais acabam não suprindo as necessidades para que possam sobreviver.
Para se ter uma ideia, Alcides Faria lembra que este ano houve muitos casos de avanço das onças sobre as casas de ribeirinhos. Estas se alimentavam dos cães. “A principal hipótese para isso é que elas não encontravam alimento suficiente na própria natureza. A onça se aproximar das propriedades sempre foi comum, mas se alimentar dos animais domésticos não”, sustentou.
Esperança- Condições climáticas mais favoráveis, tecnologia e planejamento eficaz reduziram em 94% o número de queimadas no Pantanal em relação ao ano de 2020. A área ainda está em fase de regeneração e cerca de 17 milhões de animais morreram, conforme levantamento de diversas instituições, que pode ser conferido aqui.
Fonte: Campo Grande News