Futuro do Riachuelo depende de solvência de dívida beirando o R$ 1 milhão e gerar interesse da cidade

maio 24, 20218:28 am

O ano de 2021 é data que está programada para ocorrer mudanças diante do ostracismo do Riachuelo Futebol Clube, fundado em 24 de fevereiro de 1915. A agremiação passou a corrente e o cadeado em suas atividades em torno de 1998. Já se passaram pouco mais de 20 anos que a movimentação no clube acabou.

Porém, para dizer qual é o destino da história centenária do Riachuelo e o que será feito com sua sede gigantesca, localizada na Rua Frei Mariano, não há uma única resposta. Isso porque existe o interesse de levantar o clube do marasmo. Esse é o intuito da atual diretoria de dois integrantes ativos, e não mais daquele corpo de membros que era de 16 pessoas. Por outro lado, o engajamento das pessoas em ver o Riachuelo movimentado praticamente não existe.

Na primeira reunião realizada para tratar sobre o que será feito com a agremiação e sua sede não houve quórum. Houve convocação dos sócios, que já chegaram aos 2 mil, e ninguém apareceu para dar opinião. Ficaram aguardando alguém somente o atual presidente, Ivalney F. de Britto, e o vice, Miguel Roberto Mansur Bumlai.

A data que se pretendia dar destinação a todo o patrimônio milionário ocorreu em 10 de maio. Foram duas tentativas, no mesmo dia, para reunir os sócios. A convocação já havia detalhado que nesse encontro seria detalhado a insolvência do clube, dívidas fiscais com INSS, Prefeitura, Receita Federal e ocorreria a discussão entre os associados proprietários para tentar salvar o patrimônio.

“Ninguém compareceu. Só ficamos eu e o Mansur. Tinha um advogado também. Já tentamos várias coisas e nada não foi muito para frente. Procuramos os sócios um tempo atrás, mas teve alguns que falaram que nem de Carnaval gostam mais e não vão. Mas o clube não é só Carnaval, existem outras atividades para serem feitas. Sinceramente, eu não vejo mais tanto futuro para o clube. As pessoas não estão interessadas”, desabafa Ivalney, atual presidente.

A maior dívida que hoje o Riachuelo possui, conforme Ivalney, está caminhando para R$ 1 milhão. Ela está atribuída a impostos cobrados pelo município de Corumbá, no caso do IPTU. Como o clube praticamente tem todo o seu patrimônio em construção coberta, isso ajuda a encarecer o carnê anual que é cobrado. O valor passa dos R$ 12 mil e como não há receita entrando, o pagamento não é feito há mais de uma década. Existem outras dívidas sendo executadas.

“A gente não tem uma fonte de receita. Não tem mais dinheiro para pagar. E algo de temremos muito é que o poder público possa vir e tomar o clube por conta disso. Já houve um leilão trabalhista para oferecer a sede no pagamento, mas a diretoria conseguiu reverter que a sede fosse vendida na época. Pagamos taxas e contamos com apoio para retirar a ordem de leilão. Isso ocorreu há alguns anos e nada surgiu depois”, relembra Ivalney.

O presidente, de 58 anos, é um grande entusiasta do Riachuelo. Ele comprou o seu título de sócio proprietário do tio, Aziz Metran, há décadas. Cultiva um respeito e adoração ao escudo da agremiação antes mesmo de ser sócio. Quando era criança, ia jogar futebol no campo de “terrão” que existia na Rua Colombo, onde hoje está instalada a piscina. Porém, como o Riachuelo não tinha futebol de base, acabou indo jogar futebol no Corumbaense. Um fato que é tratado como brincadeira por ele.

A rivalidade entre os clubes sempre existiu. O Corumbaense é de 1914 e o Riachuelo surgiu cerca de um ano depois. Os clubes dividem a cidade em duas partes. O Carijó da Avenida estava voltado para a classe alta da sociedade e o alvirrubro concentrava-se entre o “povão”. Essa característica dava peso para o Riachuelo, que era a agremiação de maior número de sócios e mais movimentada.

“Faltou, no passado, cultivar mais o amor ao Riachuelo. Teve muito aquela situação de ‘precisa é pagar’ e pronto. Teve época que existia muito sócio mesmo. Então havia uma cultura de se dizer que se saísse uma pessoa, outras quatro, cinco iam querer entrar. Mas chegou uma hora que não foi mais assim. Foi se acabando”, relata Ivalney.

Na estrutura histórica da agremiação, inclusive, Ivalney tenta atuar como pode para movimentar o clube. Enquanto isso, o vice, Miguel Roberto Mansur Bumlai, é a grande fonte da história viva do Riachuelo. Com ele ainda estão guardados grande parte dos documentos e os casos que já aconteceram na sede. Para esta matéria, não foi possível conversar com Mansur porque ele estava em viagem ao Paraná.

“Nós já fomos atrás de antigos sócios, procuramos fazer diferentes ações. Eu já cedi a sede para parcerias. A gente tentou fazer algumas coisas, mas não deu o resultado que a gente esperava. Para decidir o que vai ser feito, tivemos essa reunião e ninguém compareceu. Decidimos aguardar mais um pouco e daqui a alguns meses vamos convocar de novo uma assembleia e procurar definir”, confirma o presidente, que pretendia deixar o cargo no ano passado para a entrada de Odenir Carrapateira em seu lugar. Como Odenir faleceu em 2020, o caminho foi seguir no cargo porque não surgiu outro nome para se candidatar como presidente.

Tentativa de reativação
O cenário nebuloso do clube encontra ainda esperança para despertar novos entusiastas pela bandeira do Riachuelo com a cessão em comodato da área da piscina para a Associação dos Profissionais de Educação Física. Essa parceria está ativa há pouco mais de um ano e garante que a piscina do clube seja utilizada diariamente.

Os profissionais da associação promovem aulas de natação, hidroginástica e realizam pequenos encontros usando como base a área das piscinas do Riachuelo. Para tentar não descaracterizar a identidade do clube com as atividades de parceiros, Ivalney sempre pede aos professores que reforcem o conceito de “pertencimennto”. Não é fácil garantir isso.

“Acho que seria bom ter aquele envolvimento de o sócio vir para o clube, cantar o hino, andar com camiseta, entender que isso é patrimônio dele também. Eu vejo algo que pode ajudar com essa atividade da natação. É uma esperança que resiste”, conta.

Ficou no passado
Por estar desativado há 23 anos, o que resta à agremiação hoje são as lembranças do que ocorreu. Como é o caso da presença de Mané Garrincha em apresentação no Riachuelo na década de 1960. Adolfo Randon escreveu no Correio de Corumbá nota para relatar a presença do jogador na cidade para se apresentar no clube. Garrincha gostou tanto da cidade que uma visita de alguns dias transformou-se em seis meses e muitos mimos da população para com o craque da seleção, isso na década de 1960. O palco do tradicional Carnaval do Riachuelo também já abrigou show de Roberto Carlos.

Quando surgiu perto do Carnaval, o clube estava instalado onde hoje é a delegacia da Polícia Federal. Só na década de 1960 que foi transferido para a Rua Frei Mariano, no prédio que hoje existe. A piscina foi construída na década de 1970 e esta foi a última grande reforma feitas pelo clube.

Fonte: Correio De Corumbá

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