Maior investimento em asfalto para Corumbá vai completar 4 anos e projeto deve continuar até 2022

fevereiro 22, 202110:03 am

Corumbá vem recebendo uma injeção de financiamento que até então nunca tinha recebido. Em dólares, o valor chega a US$ 80 milhões. Apenas por comparação para se compreender o tamanho desse investimento, se esse valor fosse convertido na cotação atual (R$ 5,38 para cada US$ 1) daria R$ 430.600.000.00, que representa algo em torno de 67% do orçamento de Corumbá somente para este ano de 2021. O orçamento aprovado é de R$ 645.180.000,00. A quantia colossal em reais varia porque a liberação do dinheiro tem acontecido desde 2017 e tem sido aplicada principalmente em obras de drenagem, requalificação ou asfaltamento de ruas da cidade.

A origem do dinheiro está dividida em duas partes, US$ 40 milhões são do Fonplata (Fundo Financeiro para o Desenvolvimento dos Países da Bacia do Prata) como forma de financiamento, e outros US$ 40 milhões são de parceria entre Estado e Prefeitura. Todo esse recurso está sendo injetado nas vias urbanas do município desde 2017 e há ainda mais dois anos para que o projeto seja completamente executado, ou seja, agora em 2021 e 2022. No total, são cinco anos para isso ocorrer. O financiamento precisa começar a ser pago no prazo de cinco anos também.

Esse projeto teve seu pontapé inicial em 2014, quando a proposta foi aprovada. Desde então, passou a tramitar fases até que as execuções fossem iniciadas. A formalização do contrato ocorreu no anfiteatro Salomão Baruki, em Corumbá, em 11 de abril de 2017, com a presença do presidente do Fonplata, Juan Notaro Fraga; o governador Reinaldo Azambuja; e o então prefeito da cidade, Ruiter Cunha e na sequência pelo prefeito Marcelo Iunes.

Conforme especificação do próprio acordo, o Fonplata define que o projeto é para mudar a “cara” de Corumbá no prazo de cinco anos. “Melhorar a qualidade de vida da população do Município de Corumbá mediante o financiamento de projetos de investimento destinados à urbanização e melhora das condições socioambientais, de infraestrutura urbana, moradia, recreação e mobilização, a fim de facilitar o acesso da população aos equipamentos e serviços públicos, visando sua inclusão social e o desenvolvimento sustentável das áreas de intervenção”, específica o Fundo Financeiro, em nota oficial em seu site.

Por onde o recurso foi aplicado e as obras foram concluídas, a percepção dos moradores é que essas melhorias já podem ser sentidas. “Realmente eu posso dizer que melhorou bastante aqui. Antes tinha um poeirão ali para cima da Rua Cáceres, agora não tem isso mais. Eu entendo também que valorizou a região. Estou aqui há 10 anos e notei essas mudanças. Por aqui, na frente do meu comércio, o asfalto passou faz agora uns três anos”, comenta Douglas Espíndola Dias, 32, que é dono de um mercado na Rua Cáceres, no bairro Cristo Redentor e mora nas proximidades.

“Eu trabalho com moto e posso dizer que agora está muito melhor. Estou aqui há mais de 11 anos. Tem algumas ruas, como ali na Cáceres, para cima da Minas Gerais e até a Paraná o asfalto terminou tem uns dois meses. Agora passa ônibus também por aqui. Todas essas ruas no entorno têm asfalto novo. Com a chuva, a gente não vê mais tantos problemas”, ressalta Rodilei Medeiros, 36, que mora no bairro Cristo Redentor há 11 anos e trabalha com entregas.

Por onde as obras ainda estão passando, moradores entendem que precisam superar adversidades que a intervenção vem causando. Carmem de Almeida Silva vive no cruzamento das Ruas Pará com Marechal Floriano há 27 anos, dos 70 que tem de vida. Desde então estava esperando para ver o dia que conseguiria sair de casa em dia de chuva sem que a lama a impedisse.

“Durante a obra, acharam um minadouro por aqui e estão mexendo nisso. Também tem muita pedra. Eu esperei quase 30 anos para ver a minha casa em rua com asfalto, vou esperar mais um pouco. Só não quero morrer sem ver isso aqui mudado. Quando chove, a gente simplesmente não sai de casa. É tanto barro que não dá. E aqui na Rua Pará passa ônibus, mas nem assim fica fácil. Além da poeira danada. Espero o melhor a partir de agora”, almeja Carmem.

O local onde ela mora passa por obras dentro do projeto do Fonplata de drenagem e pavimentação dos bairros Nova Corumbá, Jardim Guanabara, Planalto, Jardinzinho e Industrial. Só para essa etapa, o valor previsto para ser investido é de R$ 13.093.156,64.

Uma outra frente de intervenção que está em andamento é na região do Cristo Redentor, que na proposta é identificada como Parque Linear das Jaguatirícas lote 1. O valor para ser investido nessa região é de R$ 26.695.166.73. Por lá, que compreende os bairros Cravo Vermelho I, II e III, além de parte do Cristo Redentor, ainda há muito trabalho pela frente. Nessa área, agora em janeiro, houve problemas com enxurrada forte que atingiu mais de 300 famílias.

Além da complexidade da obra nessa parte da cidade, há o encontro de água da chuva de diferentes regiões, principalmente vindas do morro. Esse trecho também é por onde há uma ligação viária entre os bairros Guató e Cravos para a parte baixa de Corumbá por meio da Rua Sete de Setembro. Essa via, depois do volume pluviométrico de janeiro (Inmet indicou que houve mais de 270 mm de chuva), está com dezenas de buracos. Há previsão de recuperação asfáltica da via.

O Correio de Corumbá tentou falar com os setores da Prefeitura para detalhar as etapas já completadas no projeto de infraestrutura urbana na cidade, mas não foi possível realizar as entrevistas até o fechamento desta matéria.

Contudo, o Executivo encaminhou uma planilha com o detalhamento de todo o serviço feito entre 2017 e 2020. Só para a área de pavimentação, há um total de 337.092,02 m² de área para ser completada. Em drenagem, nos três últimos anos, estão no planejamento a realização de 26.601,00 m² de intervenção. O recapeamento compreende 320.239,81 m². O projeto do Fonplata corresponde para Corumbá a intervenção em 210 quadras da cidade para ocorrer a pavimentação.

Onde o serviço consta como finalizado é no bairro Padre Ernesto Sassida, bem como na Rua Cabral, que passou por requalificação em parte de sua extensão e o recapeamento em bairros (a Prefeitura não detalhou quais foram). Outros 95% de obras já foram implementadas em áreas da região norte e sul.

As obras que estão em fase abaixo de 30% de execução são as de colocação de lajotas nas regiões sul e norte. O trecho que consiste no projeto como Jaguaritica Lote 1, que corresponde aos bairros Cristo Redentor e Cravos, também está com execução abaixo de 30%. Dentro do projeto do Fonplata ainda consta a alteração do Portal da Cidade e requalificação da entrada do município. Esta obra ainda não foi iniciada.

O Fonplata realiza regularmente vistorias nos trechos em obras. A última vistoria divulgada ocorreu em dezembro de 2019, cerca de dois anos depois que o projeto passou a andar em Corumbá. É diretriz do Fundo fazer o registro de todas as fases das ações. Antes das intervenções começarem, houve essa inspeção. A segunda ocorreu no final de 2019. A próxima está prevista para ser realizada em uma etapa posterior à conclusão, o que pode ocorrer no final de 2021. Moradores da região onde há o empreendimento são ouvidos para relatarem quais mudanças foram percebidas a partir do investimento feito.

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