Motorista morto em acidente de ônibus estava 24 horas sem dormir
outubro 6, 20221:57 pmInformações apuradas pelo Capital do Pantanal junto a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), constatam que o ônibus com placas DAJ-3302, envolvido no acidente fatal do dia 28 de setembro, na BR 262, próximo ao trevo da região de Maria Coelho, é reincidente no crime de transporte clandestino, sendo apreendido cinco vezes do final de 2021 até setembro de 2022.
Ainda segundo dados da ANTT, o ônibus foi alvo de apreensão por três vezes no final de 2021 e outras duas neste ano de 2022. A primeira em 10 de agosto, no município de Miranda e, a segunda no dia 21 de setembro, em São Paulo, sete dias antes do acidente que matou o motorista Francisco Rodolfo Krabbe Junior, de 52 anos e deixou outras seis pessoas feridas.
Informações apontam que Francisco Rodolfo havia saído de São Paulo no dia 27 de setembro, por volta das 12h. Teria chagado em Corumbá no dia seguinte, 28, e sem ter direito ao período de descanso exigido pela regulação dos transportes, retomou a direção do veículo que seguia novamente para São Paulo, às 12h. Ele terminou colidindo de frente com carreta de minério na BR 262, próximo ao trevo de Maria Coelho, onde o tráfego de caminhões exige total atenção dos condutores na via.
A ANTT deixa claro, que o ônibus envolvido no acidente é “habilitado para o serviço de fretamento, mas nas ocasiões de apreensão, o motivo da irregularidade foi o fato de a empresa estar efetuando viagem na modalidade linha regular, o qual não possui permissão”.
Além de Autos de Infração referentes ao serviço clandestino de passageiros, a referida empresa também possui autuações por estar “prestando serviço com extintor fora da validade e pelo fato de o motorista não possuir o curso para transporte coletivo de passageiros”.
É um total desrespeito à vida humana, empresas clandestinas objetivam somente e exclusivamente o lucro próprio, elas desobedecem a todas as normas de segurança, colocam condutores despreparados ao volante e exigem cargas horárias desumanas de trabalho, o que gera alto risco na direção e facilita a ocorrência de acidentes fatais, como o ocorrido no dia 28 de setembro, em que o próprio funcionário da empresa morreu numa viagem “bate e volta” entre São Paulo e Corumbá.
A situação está extrema na região de Corumbá, veículos clandestinos realizam o transporte diariamente pegando passageiros em pontos estratégicos na cidade, de modo a burlar a fiscalização. Além de mais rigor na fiscalização, com presença ostensiva nas vias, é necessário que as pessoas tenham consciência da sentença de morte que significa optar por um ônibus clandestino.
Sobre as apreensões
A ANTT esclarece que ao ser apreendido, o veículo fica retido por três dias, podendo ter o prazo dobrado, em caso de reincidência dentro de 12 meses, se a autuação com multa resultar por transitado em julgado, quando não há possibilidade de recurso.
Fonte: Capital Do Pantanal