Sem pressa, Lula adia para abril apresentação da nova âncora fiscal
março 22, 20239:50 amEm meio a desencontros sobre o projeto de lei do novo arcabouço fiscal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adiou a apresentação da proposta para depois da sua viagem à China. Ele visitará o país asiático entre os dias 26 e 31 deste mês e tem encontro marcado com o presidente Xi Jinping.
“Falei para o Haddad: ‘Não temos que indicar o nosso modelo de marco fiscal agora. Vamos viajar para a China, quando a gente voltar, Haddad, você reúne e anuncia'”, disse o petista, em entrevista à TV 247, numa referência ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Lula alegou que seria “estranho” anunciar o texto e deixar o país sem maiores detalhes a respeito da proposta. “Nós embarcamos sábado. O Haddad não pode comunicar uma coisa e sair. Seria estranho. Eu anuncio e vou embora. Não. O Haddad tem de anunciar e ficar aqui para debater, responder, dar entrevista, visitar, conversar com o sistema financeiro, Câmara, Senado, ministros, empresários. O que não dá é a gente avisar e ir embora”, argumentou.
Ele destacou que aproveitará as 24 horas de viagem ao lado do ministro da Fazenda para conversar mais sobre o assunto.
O presidente frisou que o texto da ancoragem fiscal, que combina curva da dívida, superavit e controle de gastos, está “maduro”. E voltou a defender que políticas sociais fiquem fora do teto.
“O que precisamos, e eu tenho chamado atenção, é: vamos fazer as coisas com muito cuidado porque não pode deixar faltar recurso para educação e saúde.”
O chefe de Executivo enfatizou, porém, que é preciso “discutir um pouco mais” a respeito do arcabouço. “É preciso discutir um pouco mais. A gente não tem que ter a pressa que algumas pessoas do setor financeiro querem. Precisamos saber o seguinte: vamos fazer um marco fiscal, eu quero mostrar ao mundo que tenho responsabilidade.”
O petista disse não precisar que “venha um banqueiro me cobrar responsabilidade”. “Gastar é uma coisa que eu tenho responsabilidade. Só gastar aquilo que posso ganhar. Se for gastar, tenho que fazer uma dívida que seja algo que tenha rentabilidade, tenha recebíveis garantidos, posso aumentar o patrimônio deste país, a infraestrutura”, comentou. “O que não posso é gastar à toa. ‘Ah, vender a Petrobras para pagar juros da dívida interna’. ‘Vender a Eletrobras para pagar juros’. Isso, sim, é irresponsabilidade”, acrescentou.
Haddad ganhou elogios. Lula ressaltou que o ministro “pensa igual ao governo” e é “competente para fazer o que tem que ser feito”. “Obviamente, o Haddad convive com outro segmento da sociedade que eu não convivo, que é o sistema financeiro. Haddad é obrigado a conversar com banqueiros, investidores, e tem de fazer as coisas com cuidado.”
Ele negou divergências entre o partido e o titular da Fazenda. “Não há nenhum problema do PT contra o Haddad, não há nenhum problema meu contra o Haddad. Tenho respeito e carinho profundo e tenho certeza de que ele vai ajudar a resolver o problema da economia deste país. É apenas uma questão de tempo. É importante lembrar como é que encontramos este país: desmontado.”
Fonte: Correio Braziliense