Tite afirma que Brasil será menos vertical contra a Bolívia por causa da altitude: “É desumano”
março 28, 202212:50 pmA seleção brasileira é líder isolada das Eliminatórias Sul-Americanas e tem melhor ataque, com 36 gols marcados (média acima de dois por partida). Mas o técnico Tite avisou que não vai ser possível jogar tão ofensivamente contra a Bolívia, nesta terça-feira, em La Paz. O motivo: os efeitos da altitude de 3.600m acima do nível do mar no corpo dos jogadores.
– A gente sempre tem uma expectativa, independentemente das adversidades colocadas. Não vai ter um time tão vertical como temos sido nos últimos jogos porque não permite, é desumano, não há essa condição. Existem outras estratégias, de posse de bola. Claro que não vai conseguir colocar o mesmo ritmo, essa velocidade que a gente emprega nos jogos em casa ou em condições normais — afirmou o treinador, em entrevista gravada no domingo e publicada pela CBF nesta segunda-feira.
Tite vai promover sete mudanças no time titular em relação à goleada sobre o Chile. Além de dar fôlego novo à equipe, a comissão técnica sinalizou que é uma oportunidade de valorizar jogadores do grupo que vêm entrando bem.
É também uma forma de observar mais atletas, já de olho na possível ampliação no número de inscritos na Copa do Mundo, que pode subir de 23 para 26 nomes. A ideia é apoiada por Tite:
– Sim, diretamente, gostaria sim (da lista com 26). Abre possibilidade de ter atletas específicos e ou versáteis, te dá um leque maior. Assim como cinco substituições, se confirmado, eu vejo com grande influência no desempenho da equipe. Vejo isso extremamente significativo, importante. Sou incentivador. Se tiver um voto, em termos técnicos a gente é totalmente a favor — disse.
Ainda nesta segunda-feira, a delegação deixa Teresópolis por volta das 15h e viaja rumo à Bolívia às 17h. Haverá uma parada em Santa Cruz de La Sierra, onde o grupo fica até poucas horas antes da partida e depois viaja para La Paz. O jogo será no estádio Hernando Siles.
Confira outros trechos da entrevista coletiva de Tite:
Comprometimento com a Copa do Mundo
– Isso é uma construção. Quando falo que as relações e o trabalho ter que ser desenvolvido, quando a gente fala em planejamento, etapas de trabalho, fases e processos é exatamente sobre isso. Essa construção, essa relação de confiança que se estabelece, essa mobilização que se estabelece, da competição leal, essa atmosfera toda se criando. A gente não faz assim (estalar de dedos), ela é por passos, etapas, tijolo a tijolo, são essas construções que a gente tenta fazer de maneira sólida.
Planejamento para jogos na altitude
– (Jogar na altitude) tem muita influência em termos estratégicos, no que podemos retirar de melhor da equipe em cima das adversidades dos adversários, em cima de uma altitude, de uma série de resultados que não tivemos historicamente contra a Bolívia, de finalizações de média-distância. São uma série de aspectos importantes que a gente leva em consideração, estrategicamente eles são importantes.
Brasil assumir o topo do ranking da Fifa
– Tem significado, sim. Para mim, particularmente, (o importante) é ver a equipe de novo jogar muito bem, de novo conseguir estrategicamente passar por essas adversidades, ter seu futebol representado com qualidade técnica e posse de bola. É mais uma fase de consolidação e evolução. Isso me fascina. Paralelamente vem o reconhecimento.
Avaliação de todo o trabalho na Seleção
– São ciclos de seis anos, que te traz períodos, pega Copa. São recortes importantes. Eu tenho um pouquinho de discernimento para avaliar quando olho para outros profissionais, para formar conceitos, para julgar dentro do meu íntimo e dizer assim: deixa ele fazer o trabalho completo, deixa terminar o seu trabalho que a gente vai ter uma real exposição do que é o trabalho. Vamos segurar um pouquinho, deixar terminar, daí a gente vai ter a realidade dos fatos todos que seguirem, que acontecerem.
Oportunidade para atletas jovens
– Martinelli é um exemplo típico, e não dá para fechar essas possibilidades. Os atletas crescem, se afirmam, evoluem. E nós temos que estar abertos, esse foi um dos aprendizados que tive em relação ao período anterior (de Copa).
Despedida do torcedor brasileiro
– É um momento de carinho, ficou uma expectativa grande em relação ao último jogo no Maracanã. Tudo aquilo foi bonito, de desempenho, de calor humano, de futebol bonito, de resultado, de respeito ao adversário. Ela (torcida) teve uma grandeza grande nesse aspecto. Eu procuro olhar o próximo passo, o próximo dia, senão a adrenalina começa te consumir de uma forma forte. Eu tento fazer o meu melhor no dia a dia.
Interesse do Arsenal
– A respeito da informação dada, o meu sentimento é de tristeza. Fico triste porque passa uma informação para o público que é mentira. A informação é mentira. As pessoas que se identificam comigo, fiquem tranquilas. O Tite tem conduta pessoal, valoriza sua atividade profissional, sabe da responsabilidade da Seleção. Não tem absolutamente nada.
Adversários na fase de grupos da Copa
– Nosso trabalho está tão voltando a deixar os atletas que vão começar o jogo e aqueles que estão fora… Toda a equipe estar fortalecida e preparada. Depois do jogo eu me informo. Se não vou gastar energias do meu trabalho em outras coisas. Atenção na preparação, no fortalecimento da equipe e na evolução.
Fonte: Globo.com