11 crianças e adolescentes procuram uma família na região de Corumbá e Ladário
maio 27, 20219:45 amCorumbá e Ladário tem atualmente 11 crianças e adolescentes que aguardam adoção, mesmo que 22 famílias já estão habilitadas na Justiça da cidade. Ainda existe um intenso trabalho na sociedade para conscientizar as pessoas a adotarem quem tem mais de três anos.
O perfil restritivo das famílias que buscam adoção ainda inclui na lista crianças que não tenham irmão e nem problemas de saúde.
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul procura realizar campanhas para dar maior visibilidade para essa realidade, principalmente quando ocorre o Dia Nacional da Adoção, instituído para acontecer em 25 de maio.
“Infelizmente, a realidade da adoção no Brasil revela o estarrecedor quantitativo de um contingente que margeia as 10 mil crianças/adolescentes em instituições de acolhimento e, por outro lado, 46 mil pessoas estavam na fila de espera para adotar. A conta não fecha justamente pelo perfil restritivo dos habilitados”, explicou o juiz Maurício Miglioranzi, que atua em Corumbá.
O magistrado citou dados que constam no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No banco de dados do conselho, em 2019, 9.524 crianças e adolescentes procuravam um lar.
Nas instituições do Brasil, e em Corumbá não é diferente, é minoria as crianças menores de 3 anos que vivem em situação para serem adotadas.
Uma outra situação ainda agrava essa falta de lares definitivos, que é o fato de as crianças a partir dos 4 anos irem para a escola e diferentes irregularidades ligadas ao passado vão surgindo e o distanciando de possíveis pais adotivos vai ganhando mais contorno.
O juiz menciona que é necessário desmistificar a chamada “adoção tardia” e priorizar o afeto. “É sabido que a filiação demanda vinculação afetiva”, reforçou o magistrado. “Bem como porque o próprio filho biológico demanda a chamada ‘adoção afetiva’, já que a psicologia afastou a ideia de ‘amor inato'”, completou o juiz.
Entre as crianças e adolescentes que vivem nos lares de Corumbá e Ladário, 2 tem menos de 12 anos. As pessoas habilitadas para adoção nas cidades somam 22, sendo 18 casados, três em união estável e um solteiro.
“A adoção precisa ser socialmente encampada, uma vez que o distanciamento das crianças do lar deve ser medida excepcional e transitória”, afirmou Maurício Miglioranzi.
Projeto Padrinho
Um dos processos para ampliar a socialização da adoção é por meio do projeto Padrinho, incentivado pela Justiça. Nele, adultos podem ser parceiros de crianças e adolescentes e essa relação incentiva o envolvimento afetivo, financeiro, de prestador de serviços e relação religiosa.
Quem quiser ser habilitado no apadrinhamento pode procurar o Fórum de Corumbá e se inscrever ou entrar em contato pelo telefone (67) 3907-5740.
Fonte: Correio De Corumbá