Carnaval 2021 – Entrevista exclusiva com o presidente da LIESCO

janeiro 20, 20214:55 pm

Vai ter ou não vai ter Carnaval em 2021? Qual a posição da Liga Independente das Escolas de Samba de Corumbá e qual a posição da Prefeitura?
Tudo isso você fica sabendo agora na entrevista exclusiva do Cidade Branca com Victor Raphael de Almeida, presidente da LIESCO.
Victor entrou para o mundo do carnaval em Corumbá em 2010. Ele fazia parte de uma iniciativa na internet chamada Carnaval Virtual quando surgiu um convite para ajudar a escola de samba Caprichosos de Corumbá, que tinha o comando de Arturo Ardaya. No ano seguinte foi convidado para comentar sobre Carnaval na rádio Difusora, nos programas do próprio Arturo e do radialista Joel de Souza. Como ele já compunha no carnaval virtual foi provocado por amigos a compor para as escolas daqui. Então, juntamente com Samir Trindade, compositor da Beija Flor na época, que veio para um encontro de compositores da cidade, e com parcerias de Shazam, Rogério César e Guga Martins, fez o samba para a Unidos Vila Mamona para o Carnaval 2011. A iniciativa deu certo e Victor colocava os dois pés no mundo do samba.
Só no Carnaval de Corumbá Victor Raphael compôs exatos cinquenta sambas, fora os carnavais do interior do Brasil.
Entrou para a LIESCO em 2017, quando assumiu o Conselho Deliberativo e a Coordenação dos desfiles.
É Presidente da LIESCO desde setembro de 2020.

 

1) Como foi assumir a LIESCO em meio a esse turbilhão chamado pandemia?

A Liesco já tinha as eleições programadas para 2020… E já estava me preparando para colocar meu nome à disposição das escolas de samba. A pandemia chegou e tive o apoio do ex-presidente e agora presidente do Conselho Deliberativo, Zezinho Martinez, e também das escolas para assumir esse desafio.

 

2) E como o senhor e a sua diretoria tem enfrentado estes meses difíceis mantendo o astral, a autoestima e a motivação dos carnavalescos?

A gente tem trabalhado muito com as redes sociais, dando mais interatividade aos trabalhos da Liesco. Estamos com iniciativas de montar o acervo audiovisual da Liga. Pretendemos colocar todas as gravações realizadas pelas agremiações nas plataformas digitais. Também estamos na busca dos compositores para inseri-los em associações para requisitar as verbas de direitos autorais, e, além disso, realizando nosso Planejamento de acordo com o que a pandemia nos permite.

Já as escolas de samba estão empenhadas em ações de cunho humanitário, como a confecção de máscaras para ajudar como podem nesse momento tão delicado.

 

3) E o que vem de novidades por aí?

O site oficial da Liga já é uma realidade, por detalhes para ser inaugurado. Também criamos duas diretorias executivas (de projetos e comercial) que vão nos auxiliar na captação de recursos para a organização da festa. Além disso, temos outros projetos que dependem de parcerias para levarmos em frente, na fase de formulação e apresentação aos parceiros.

 

4) A não realização do carnaval em todo o Brasil afetou financeiramente muita gente, concorda?

Em Corumbá isso é latente. Temos uma força de geração de 500 empregos diretos e mais de 1000 indiretos, ainda que temporários, no carnaval. O circuito da folia começa para as escolas de samba ainda no mês de setembro, algumas outubro, o que gera renda para o comércio, costureiras, aderecistas, os ambulantes que vendem e os fornecedores por consequência. Isso foi diretamente afetado. E mais do que isso, é uma festa que acaba gerando recursos também aos entes públicos com a arrecadação de impostos, e isso também certamente foi afetado.

 

5) Afinal de contas, a pergunta que não quer calar, teremos Carnaval este ano?

É uma pergunta que deve ser feita dia após dia. Temos acompanhado o que acontece com relação à pandemia, a chegada da vacina e possíveis cronogramas de imunização. A festa acontece se houver uma imunização que permita acontecer. Em fevereiro, inviável, em julho, possível, mas só podemos garantir algo com o aval das autoridades sanitárias e se sentirmos a confiança de que não seremos potenciais causadores de problemas a saúde da população com a realização do evento.

 

6) Então, é um pensamento integrado da Prefeitura, Fundação da Cultura e LIESCO?

A Prefeitura e a Fundação de Cultura são parceiras de primeira hora da Liga e são sensíveis ao movimento do carnaval, que é um investimento para a cidade, movimenta a economia e gera renda. Mas é unânime que o carnaval só pode ser realizado nas condições adequadas. Queremos que as pessoas brinquem sem que isso gere consequências lá na frente. Para termos essa segurança, a cautela e a paciência com o momento são essenciais.

 

7) Presidente, nos dias da folia, marcados no calendário, existe um temor de aglomeração na avenida, mesmo sem desfile e sem placo armado. O quê o senhor diria para a população quanto a isso?

Não façam isso. O calendário de Imunização está no começo, não temos essa segurança sanitária para fazer os festejos e isso pode acarretar em uma saturação do nosso hospital. Precisamos manter a calma, as medidas de distanciamento e o uso de máscaras. A máscara do carnaval a gente veste no momento certo. E com certeza não é em fevereiro, da forma que conhecemos.

 

8) A imprensa terá um papel fundamental no processo. Concorda?

Sem dúvida. A imprensa é uma das formas mais eficazes em trazer informação ao povo. E é um papel que ela deve cumprir não só em situações como essa, mas no dia-a-dia. Quanto mais tivermos informações a serviço do cidadão, mais consciência comunitária teremos.

 

9) Não poderíamos deixar de pensar no ano que vem. Vai ser o Carnaval da desforra, né?

Acontecendo ou não em 2021, a folia de 2022 certamente será o momento de extravasar, de fazer todo essa angústia desaparecer através do reinado de Momo. E, isso sabemos fazer como ninguém!

 

10) Que mensagem o senhor deixa para todos os foliões neste momento?

Ao nosso povo, o povo do carnaval, precisamos dar o exemplo. Gostamos da folia, da bagunça e da aglomeração. E faremos exatamente isso quando for possível. Por enquanto estamos estudando alternativas para a nossa festa, mas sabendo da responsabilidade que temos com toda uma cidade. Quando tudo isso acabar, não há tristeza que será capaz de conter tanta alegria!

 

Cidade Branca

 

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