Colisão com capotamento de veículo vira confusão entre policial federal e policiais militares
março 28, 202211:01 amUm acidente de trânsito, com capotamento de veículo, que deixou uma mulher ferida, tornou-se uma grande confusão envolvendo policial federal e policiais militares na madrugada deste domingo, 27 de março, em Corumbá. A colisão, entre um Citroen (de cor preta) e uma Pick Up (na cor branca), aconteceu no cruzamento das ruas América e Antônio João após um deles avançar o sinal vermelho.
O condutor do Citroen estava com a esposa no carro. Ele confirmou ter avançado o sinal e disse não ter CNH (Carteira Nacional de Habilitação). O outro veículo era conduzido por um agente da Polícia Federal, que se manteve calmo e seguindo as orientações da guarnição da Polícia Militar. O problema todo foi causado por outro policial federal que chegou ao local depois da colisão, e segundo o próprio, teria “estudado muito” para não fazer parte “dessa instituição corrupta”, que seria a PM, e que os policiais militares “não são nada”.
De acordo com o boletim de ocorrência (1283/2022), registrado na Delegacia de Polícia Civil, o qual o Diário Corumbaense teve acesso, os insultos aconteceram após a guarnição da PM comunicar sobre a realização de teste de alcoolemia em razão de o “segundo condutor assumir ter ingerido bebida alcoólica e também pelo policial federal, apesar de tranquilo, apresentava odor etílico sem demais sintomas que permitissem a constatação de embriaguez”.
Alterado, o colega de trabalho do PF teria interferido, afirmando que, com a realização do bafômetro, os policiais militares queriam “ferrar o colega” e que deveria existir “cordialidade entre policiais” porque eles “seguram muitos boletins de ocorrência de corrupção da polícia Militar”.
Questionado pelo policial militar sobre “onde mais existe corrupção?”, o agente federal teria aumentado o tom de voz e “apontado o dedo indicador” ao militar do 6º Batalhão da PM. Também teria dado “dois passos para trás” e levado “a mão direita na cintura com intenção de saque”, sendo contido pelo colega que havia se envolvido no acidente de trânsito e acompanhava a ocorrência com total “calma e respeito legal”.
Ainda agressivo, o colega do PF foi, mediante uso de força, desarmado, algemado, colocado no compartimento de presos da viatura da Força Tática e levado para a Delegacia de Polícia Civil. Enquanto era imobilizado, ele gritava: “filho da p*** “, guardinhas de m****”, “não vai ficar assim, vocês vão se f****”. Duas viaturas da PF foram deslocadas ao local e a situação foi amenizada.
Já no Distrito Policial, o policial federal teve a arma devolvida e as algemas retiradas por ordem da delegada de plantão. Ele ainda teria questionado sobre o telefone celular dele e novamente insultado os policiais militares dizendo: “vê aí, algum guardinha deve ter colocado na bolsa” e que “por isso sou papa/ferro, até o TAF deles é de m****da”. Ainda segundo o boletim de ocorrência, ele olhava para cada policial militar e dizia “vem na mão um por um” e que “havia estudado muito para não fazer parte dessa instituição corrupta”.
Na Delegacia de Polícia Civil, o condutor do Citroen preto teve elaborado auto de infração por dirigir sob influência de álcool e por dirigir veículo sem possuir habilitação. Para o condutor da Pick Up branca, foi feito auto de infração por recusar-se a se submeter a teste/exame clínico, perícia ou outro procedimento que permita certificar influência de álcool ou outra substância psicoativa na forma estabelecida pelo artigo 277 do Código Brasileiro de Trânsito.
A mulher, de 43 anos, que foi vítima da colisão com capotamento, foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e apresentava dores no joelho esquerdo e na cervical acima do ombro e foi removida pelo Samu para o Pronto-Socorro.
O registro policial (1283/2022) traz como fatos as ocorrências de ameaça; resistência; desacato; praticar lesão corporal culposa na direção de veículo automotor; dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida permissão para dirigir ou habilitação ou, ainda, se cassado o direito de dirigir, gerando perigo de dano; conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência.
PM e PF
O Diário Corumbaense entrou em contato com as duas instituições para comentar o caso.
O Comando do 6º Batalhão da Polícia Militar, somente informou que comunicou os fatos ao Comando Geral da PM. Já a assessoria de comunicação da Polícia Federal, disse que o órgão não irá se manifestar agora, pois os fatos são recentes e irá avaliar quais medidas tomar.
Fonte: Diário Online