Implantação de rota bioceânica ferroviária vai ter trabalho coordenado a partir de Corumbá

setembro 10, 20219:23 am

A Prefeitura de Corumbá ficará a frente de trabalho de coordenação para criar a integração logística entre o Brasil e as cidades argentinas de Salta, Jujuy e Tucuman, que ficam no norte do país vizinho. O Ministério das Relações Exteriores (MRE) vai dar apoio ao governo municipal para que haja a consolidação desse ramal da rota biocenânica ferroviária.

O trajeto de trem entre Corumbá até os munícipios argentinos cria uma rota que vai viabilizar o transporte de cargas indo para o Oceano Pacífico, no Chile. A Argentina tem interesse na efetivação desse ramal porque poderá exportar para o Brasil minérios extraídos da região norte.

A discussão que culminou no acordo para que a Prefeitura de Corumbá encabece esse projeto ocorreu na tarde de quarta-feira (8), durante reunião online que teve a participação do ministro de carreira diplomática do MRE, João Carlos Parkinson. Ele está engajado nesse projeto há mais de cinco anos.

Participaram também da agenda o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Sustentável, Cássio Augusto da Costa Marques, o assessor especial da Prefeitura, Élbio Mendonça, o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Corumbá (ACIC), André Campos, o vereador Manoel Rodrigues, e o diretor da Federação das Indústrias do Mato Grosso do Sul (FIEMS) na região, Lourival Vieira, que também atua como gerente de Comércio Exterior no Executivo Municipal.

“A ideia é estabelecermos um documento, elaborado pelo MRE, definindo algumas diretrizes e colocando Corumbá na coordenação desse trabalho. O principal objetivo é promover essa cooperação comercial com as cidades do norte argentino, principalmente no que se refere a logística ferroviária, que é estratégica não só para o Mato Grosso do Sul, mas também para o Brasil”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico e Sustentável.

Essas tratativas vão compor o processo de estudo de viabilidade técnica da rota bioceânica ferroviária, que está sendo tratado desde 2017. Nesse projeto maior, o tema tem engajamento de Brasil, Bolívia e Argentina, a partir de regiões específicas. Aqui no Brasil, é Corumbá o município de maior interesse na questão. O governo boliviano foi quem iniciou a proposta e cidades do norte da Argentina estão empenhadas nesse processo.

A FIEMS participar do grupo de trabalho que envolve ainda empresários argentinos e brasileiros, além dos presidentes das Câmaras de Comércio Exterior de Salta, Jujuy e Tucuman. Na avaliação do chefe de gabinete da presidência da FIEMS, Robson Del Casale, a Federação das Indústrias têm interesse em trabalhar nessa discussão. “Principalmente quanto ao ponto de vista empresarial de política de fomento ao desenvolvimento industrial do Estado”.

Segundo a FIEMS, a Argentina é o quarto principal comprador de produtos de Mato Grosso do Sul, sendo responsável por US$ 199 milhões ou 3% da receita total exportada pelo Estado no ano de 2020 (US$ 5,8 bilhões). Em volume, foram vendidos 1,4 milhão de toneladas de produtos de MS para a Argentina. Em contrapartida, o país vizinho é o 16.º principal fornecedor de produtos para Mato Grosso do Sul, com US$ 6,5 milhões ou 0,3% do valor total importado pelo Estado no ano de 2020 (US$ 1,9 bilhão).

Para o chefe de gabinete da presidência da FIEMS, a viabilização de novos corredores logísticos ligando os dois países deve ampliar os negócios. “Entendemos que isso pode favorecer o comércio entre Corumbá e o Norte da Argentina. Por isso, vale destacar ainda que temos aqui o CIN (Centro Internacional de Negócios), vinculado ao IEL, que pode ajudar nas relações comerciais entre os dois países”.

O ministro Parkinson destacou que com uma integração maior entre Corumbá e o Norte da Argentina, as duas regiões deverão gerar novos fluxos de comércio, atraindo investimentos e gerando mais empregos. “Temos uma produção complementar e podemos usar isso para intensificar essa integração. Com isso, teremos mais investimentos para novas alternativas logísticas, que vão facilitar ainda mais essas relações comerciais”.

“Se apresentarmos o potencial comercial entre Corumbá e o Norte da Argentina, com a quantidade de carga que pode ser movimentada entre as duas regiões, podemos acelerar essa revitalização, além de trazer novos investimentos em outros modais”, sugeriu Cássio Augusto da Costa Marques, para pontuar a revitalização da Malha Oeste, que é uma ferrovia que liga Corumbá a São Paulo, por Bauru, e está sucateada.

Fonte: Correio De Corumbá

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