Pré-candidato a deputado federal, Bira garante apoios-chave e “praticamente 100%” do PSDB
março 21, 202210:50 pmNa primeira metade de seu segundo mandato como vereador por Corumbá, Ubiratan Canhete de Campos Filho (PSDB) – ou simplesmente Bira -, obteve o feito de ser eleito presidente da Câmara Municipal por unanimidade. O advogado de 44 anos só se sentará na cadeira mais importante da Casa a partir de 2023, mas já faz planos para garantir uma gestão harmoniosa em meio ao conflito de ideias característico dos parlamentos.
Outro projeto que Bira antecipa é o de disputar uma das oito vagas reservadas a Mato Grosso do Sul na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF). Pré-candidato nas eleições de outubro deste ano, o vereador conta com apoios importantes na corrida para representar Corumbá e região no Congresso Nacional. Um deles, já declarado, é o do prefeito Marcelo Iunes (PSDB).
Correio de Corumbá: O senhor está em seu segundo mandato como vereador por Corumbá. Dizem que o segundo pode ser mais difícil que o primeiro. Como avalia sua atuação até aqui?
Ubiratan Campos Filho: No primeiro mandato, a gente assume cheio de ideias, de projetos, mas, principalmente, o primeiro ano de mandato foi de muito aprendizado. E as dificuldades são inerentes ao cargo de vereador. A maior dificuldade que a gente tem é não conseguir pôr em prática tudo aquilo que deseja e que tem como projeto, porque depende de outros colegas vereadores, depende do Executivo, que sanciona as leis que a gente propõe. Eu acho que nesse segundo mandato eu já estou com mais experiência, com mais conhecimento de como funciona a coisa pública. Eu não diria que o segundo mandato é mais difícil, porque a gente já tem ciência das dificuldades, mas, com a experiência, a gente acaba descobrindo as formas melhores, mais práticas, de transformar o que a gente quer fazer e fazer acontecer. Então, o segundo mandato estou tocando já com um pouquinho mais de experiência, o que até me ajuda no sentido de realizar. A gente acaba não fazendo tudo que deseja, mas sim, tudo que é possível.
CC: Como o senhor foi iniciado na política e quais as bandeiras que mais te tocam?
UCF: Estreei como candidato em 2012. Até hoje, tive só dois partidos. Primeiro, em meados de 2003, 2004, me filiei no PV, pela conjuntura política da época. Fui convidado pelo meu cunhado, que era candidato, e como forma de prestigiá-lo eu me filiei. Mas em 2007 migrei para o PSDB, e desde que estou filiado já fui secretário, presidente, e hoje faço parte da executiva municipal.
Em 2012, quando fui presidente pela primeira vez, o PSDB não tinha nenhum vereador eleito, estava parado na cidade, com poucos filiados. Naquela oportunidade, fizemos uma coligação, tivemos a oportunidade de lançar pelo menos um candidato, e lançaram meu nome. Eu já tinha esse sonho de ser vereador desde a infância, acompanhando meu pai, que foi vereador por duas oportunidades. Entrei meio de última hora, mas fiz um bom papel, com 479 votos. Eu costumo dizer que, naquela eleição, eu plantei uma semente que veio germinar em 2016, quando consegui me eleger, na época com 841 votos, segundo mais votado do partido.
Eu tenho como bandeira o lado social, de voltar os olhos para aquelas pessoas que mais precisam. Fui autor de algumas leis no primeiro mandato, como a que dá tratamento especial a portadores de fibromialgia em repartições públicas e bancárias. Ela equipara o portador de fibromialgia ao deficiente físico, ao idoso, e dá direito a ter um atendimento preferencial. Também sou autor do projeto de lei que proíbe a contratação em cargo comissionado de pessoas condenadas pela Lei Maria da Penha, e da lei Junho Violeta/Prata, que incluiu no calendário oficial de Corumbá a Semana de Combate à Violência contra o Idoso. Consegui, no meu primeiro mandato, trazer para Corumbá R$ 1,5 milhão através de emendas junto à bancada federal. Tudo isso me credenciou para, na minha tentativa de reeleição, em 2020, ser o terceiro vereador mais votado de Corumbá, saindo de 841 para 1.222 votos.
CC: O senhor foi eleito, em pleito antecipado, presidente da Câmara Municipal no biênio 2023-2024. Como se deu a articulação para isso?
UCF: Eu já tinha sido candidato em 2017. Me lancei candidato, na época, com um grupo de vereadores que tinham sido eleitos com o então prefeito Ruiter Cunha. Mas não conseguimos a maioria, e, de lá para cá, sempre que têm eleições, meu nome é botado em pauta pelos colegas. Agora, quando começaram as articulações para antecipação das eleições, eu fui procurado por alguns colegas e pontuei que só sairia candidato se tivesse uma maioria substancial, preferencialmente um consenso. Então, nesse contexto, eu conversei com todos os colegas da Casa, inclusive alguns que tinham pretensão de ser presidente, mas, como a gente conseguiu essa maioria de forma tranquila, e até rápida, aconteceu naturalmente que os demais acabaram abrindo mão da posição de candidato. E culminou com minha eleição de forma unânime: os 15 vereadores da Casa votaram na minha pessoa para assumir a presidência. Isso me enche de orgulho, me envaidece, mas também me dá uma responsabilidade muito grande, porque eu sei que as pessoas esperam, tem boas expectativas com relação ao meu nome e temos que trabalhar para corresponder.
CC: É uma posição que exige um perfil moderado e conciliador. O senhor tem essas características?
UCF: O meu perfil é justamente esse. Eu não sou uma pessoa briguenta, de fazer falas acaloradas, muito menos de ser um cara que aponta dedo. Eu costumo dar o meu recado sem precisar partir para ofensa, para o xingamento, e sempre colocando minhas ideias com propriedade e convicção. Tenho certeza que foi esse meu jeito de atuar que fez com que a gente conseguisse esse consenso, e que vai ser fundamental quando eu assumir, porque quando você não tem uma maioria segura, a gente sabe que pode causar alguns desgastes na Casa. Então, a gente vai focar em tentar manter a harmonia da Casa, fazer com que todos os vereadores tenham seus direitos respeitados, suas prerrogativas de vereador, suas imunidades de fala, e a gente sempre pede para os colegas para que o tratamento entre a gente sempre seja de forma respeitosa. Claro, quando tem 15 vereadores na Câmara, vai ter divergência de pensamento, mas quem tem que brigar são as ideias, não as pessoas.
CC: Este é um ano eleitoral, e o senhor é pré-candidato a deputado federal. O que levou seu nome a ser alçado para este cargo?
UCF: Primeiro, tenho que pontuar que tenho muita gratidão ao governador Reinaldo Azambuja (PSDB), que, quando assumiu no primeiro mandato, e eu era presidente do partido, ele entendeu a necessidade de fortalecer o PSDB em Corumbá e começou a fazer ações que possibilitaram, já em 2016, conseguirmos eleger tanto o prefeito como dois vereadores, e em 2020 elegermos o prefeito e quatro vereadores. Hoje a bancada do PSDB tem cinco, com mais um colega que veio. Então, tenho essa gratidão muito grande com o governador, e foi com ele que eu tratei desde o início da minha vontade de ser representante de Corumbá. Falei pra ele que gostaria de ser candidato a deputado federal, porque eu via uma possibilidade maior de projetar do que como candidato a deputado estadual, até porque hoje nós já contamos com alguns representantes na Assembleia, e temos já, desde o ano passado, algumas pré-candidaturas estabelecidas. Desde o ano passado a gente vem fazendo essa construção, e no meio do caminho, conversando com todo mundo, ganhei outro grande aliado, outro grande apoio, muito cobiçado, que é o apoio do prefeito Marcelo Iunes. Ele declarou recentemente que eu sou o candidato dele a deputado federal pela região do Pantanal. Isso me deixou muito envaidecido e com mais garra e vontade de concretizar essa minha candidatura.
Importante pontuar que a gente tem algumas questões internas para ser resolvidas, o que deve acontecer nos próximos dias, para que o jogo de xadrez fique mais ou menos desenhado a partir do dia 2 de abril, quando a gente vai saber quem é quem, quem vai estar em qual partido, quem vai apoiar quem. Faltam algumas coisas, mas hoje tenho essa vontade e alguns apoios, de colegas vereadores, de algumas pessoas da classe empresarial, de agentes que já declararam que fazem gosto pela minha candidatura, e a gente vai trabalhar para que isso seja concretizado.
CC: Será uma disputa acirrada, com apenas oito vagas, e concorrência direta na região de Corumbá e Ladário com uma provável candidata que já exerce mandato em Brasília. Como avalia suas chances de vitória?
UCF: A gente respeita todos os nomes, todas as pré-candidaturas, agora, em determinado momento, a Bia [Cavassa, deputada federal] se afastou um pouco do nosso grupo político, do próprio partido que ela faz parte. Então, quando não se tem essas portas abertas, é natural que o agente político procure abrir outras portas. E foi o que a gente teve que fazer. Hoje posso dizer que tenho uma base de apoio de praticamente 100% do partido para meu nome como pré-candidato. Isso me deixa muito tranquilo. E também não vai ser só eu e ela. Outros pré-candidatos aparecerão, de outros grupos políticos. Então, nesse cenário, não vejo porque não tentar o meu espaço também. Todo mundo tem direito de se articular e tentar. É o povo, são os eleitores que vão ter mais um candidato para escolher na região.
Acredito que, independentemente de quem sejam os concorrentes locais, será um pleito eleitoral muito difícil. Você tem que conseguir votos não só na sua região, mas fora dela também, e vamos trabalhar para alcançar nosso objetivo. É ganhar a eleição? Sim. Mas, às vezes, uma primeira suplência a gente também pode encarar como uma vitória, porque isso pode abrir uma oportunidade no futuro. Eu costumo dizer que existem derrotas nas urnas que são vitórias políticas. Muitas vezes você dá um passo atrás para, lá na frente, dar dois, três adiante. Como eu me considero jovem, tenho 44 anos, tenho muita lenha pra queimar, decidi colocar meu nome à disposição dos eleitores e estou disposto a encarar esse risco.
Fonte: Correio De Corumbá